domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ocaso


Levaste algum tempo para me encontrar
desta forma imortal dentro de ti.
Sei lá por que razão não te perdi,
o perpétuo sentir teu respirar.

Esse sonho que sem querer te roubei
no despertar aflito da tua alma,
foi o desejo fervendo nessa calma
que invadiu o muito que jamais terei.

Antes que ao longe o sol dissesse adeus
e a noite nos unisse, separando,
em silêncio em ti fui mergulhando,
os teus olhos se fundiram nos meus.


No tempo não sei hoje onde ficou
nesse ocaso este nosso amor perdido.
Desejei que não tivesses partido,
pois a minha alma por ti não voltou.


domingo, 1 de fevereiro de 2009

Não Te Digo, Mas Tu Sabes


não te digo, mas tu sabes...


que neste mar salgado
seria livre esse teu sonho
nas ondas que te beijam
em salpicos os cabelos
à espera que o teu corpo
da vida assim despido
abrace este imenso mar
onde está todo o amor que é teu,


não te digo, mas tu sabes...

que no vento escondido
no perfume do teu corpo
há um sopro de saudade
que te invade em segredo a alma
nas intermitências do teu querer,


dizes baixinho que é tarde...

e de olhos fechados na areia
trazes nas mãos essas lágrimas
no regresso das marés
onde o teu sonho e o teu desejo
se perdem ao pôr-do-sol,


tu não dizes, mas eu sei...


que chegando a noite o teu dormir
é viver neste mar salgado
onde estão todas as palavras de amor
e os beijos em silêncio molhados
nas ondas como lábios fechados
que te esperam neste mar onde morri...


(
para a estrela que guarda o meu segredo)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Arder na Redenção






deixa-me chorar
só hoje
enquanto dói,

preciso sarar
a ferida da tua mentira
e libertar neste (des)gosto
a pena que senti
pelo teu amor
que era meu
e agora dividido
perdi,

dizes
que sou eu
afinal quem desejas
e os meus lábios
os que beijas
por ser meu
esse espaço
que dentro de ti
quer amar,

só eu sei
o vazio imenso
que vai ocupar
em silêncio
o teu regresso
por isso choro
e esqueço
enquanto dói
para depois renascer
deste fogo
e viver,

mas não voltes
a ter uma razão
para de novo
doendo
eu desejar
te esquecer
pois serei eu a pedir
o teu perdão
por assim, sofrendo,
morrer...



(enquanto eu existir, Saberás que alguém te ama, perdidamente!...)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O Meu Amor


O meu amor é forte como um laço
que te abraça sem nunca te prender,
é por dentro a razão do meu viver,
todo o mundo a minha vida o teu espaço.

O meu amor é água em teu regaço
da sede que sustenta o teu querer,
é um rio sem nascente a correr
pelos caminhos do sonho que abraço.

São meus olhos o espelho do teu rosto,
é minha alma o recanto, tua poesia,
sou eu tudo o que és, doce sabor.

Não me esqueço na distância do gosto
que tem esse teu beijo em cada dia
nos meus braços, és tu o meu amor.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O Teu Perfume


A tinta azul no silêncio branco
onde escrevo a minha existência
é poema de uma vida, a minha voz
sem tempo conjugando o verbo em “nós”
como ecos de palavras soletrando a tua ausência.

Mas eu não vivo na solidão do teu constante adeus,
por que não choro nos momentos de festa
em que o teu olhar passa e me aquece
e a saudade que há em mim se esquece
como sopros de toda a vida que me resta.

Tem o teu nome as palavras o perfume
que queima as pedras do caminho por onde vou...
E anda meu grito preso nesta liberdade
com o pensamento que traz em ti esta amizade
do que só tu sabes, enfim, o que eu sou...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Balada a Duas Vozes


Por onde andas?
-
Às vezes, à tua procura.


E por que razão não te encontro?
-
Gostava que soubesses o quanto te quero...

Há tanto tempo que não vemos juntos o pôr-do-sol!
-
Pois é, já perdi dentro de mim o teu olhar. Ainda me amas?...

Não me lembro de nunca te amar!...
-
Não há noite em que eu não sinta o teu abraço.

Tenho medo de partir e não saber onde ficas.
-
Não me deixes morrer na ausência das tuas palavras!!...

Já se faz tarde!...
-
Porquê?...

Ouves?...
-
Não. De que falas?

É o teu silêncio a chegar perto de mim!...
-
Tu sabes que te pertenço!...

Serás o meu “sempre”, mas eu não sei quem sou na incerteza do teu intermitente existir...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Podia Ser Uma Carta de Amor


Minha estrela,
O sol ainda não era Sol, e já tu eras hoje a única luz da minha existência.

Tu me encontraste nesta noite e me roubaste um beijo à beira do caminho, de tal forma que o fogo desse momento desfez em cinzas o meu passado, e nesse único instante perto de ti eu tive justificada para sempre a minha vida.

Como posso eu saber se é amor esta vontade de te pertencer, se até hoje não havia entre nós nada mais que o infinito?... Será que a dor desta inquietude que abrasa o meu coração, representa apenas o espiríto de um sonho efémero que não é meu?... Mas se for isso, como posso eu justificar o desejo que me impele para este abismo de te querer?...

Eu vou renascer!... Vou entregar ao vento o sopro desse desejo como redenção deste castigo que o destino me legou ao te afastar de novo de mim. Ficarei perto deste caminho por onde começa e acaba a minha vida, e escreverei nas suas veredas todas as palavras de amor que não tive tempo de te dizer. Estas palavras vão te encontrar tão longe!... Por que tiveste de partir sem saberes o quanto te podia amar?...


Eu quero pensar que vais voltar. E se vieres à minha procura e ainda me ouvires, é por que já me encontraste dentro de ti!... Fecha os teus olhos, e no breu dessa escuridão eu serei a luz que ilumina essa ausência.

Amanhã o sol já não será Sol para mim, mas tu não deixarás de ser a minha estrela da manhã.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Antes de Tudo


Antes de tudo,
mesmo das coisas mais importantes,
eu vou-te amar!...


Antes de todos os nadas
e de todos os sofrimentos,
é por ti que eu vou existir.


Antes de perderes por dentro
o sabor do meu eterno desejo,
eu não te vou esquecer.


Antes de tudo,
mesmo que seja para morrer,
eu serei teu para sempre!...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Asas da Minha Saudade


Naquele ramo que fica no meu quintal
nasceu hoje, pela manhã ainda fria,
uma ave que por certo não sabia
ser também hoje o dia do meu natal.

O seu canto era um choro sem igual
que outros tempos me fez lembrar a alegria...
aqueles por quem agora eu tudo daria
para vivê-los de novo – bem ou mal.

Ouve, ave inquieta que agora nasceste!
Hás-de crescer e voar pelo mundo fora
sem saberes que o tempo também tem idade.

Leva na tua voz o que comigo aprendeste
e quando eu daqui com pena me for embora,
solta das tuas asas a minha saudade.

sábado, 3 de janeiro de 2009

De Vez em Quando


Voltei a desejar de mais
dentro de mim o teu alento
e voltei a perder o meu tempo
querendo saber por onde vais.

De vez em quando eu esqueço
que não me pertences, amarga vontade,
e não me mata esta saudade
os caminhos do teu regresso.




Diz o vento quando passa por mim
que partiste chorando o meu beijo...
se fosse Amor este meu desejo
não me mentia o vento assim.

De vez em quando o meu olhar
sai por esta janela em loucas corridas
e troco com o vento as dores esquecidas
pela constante esperança de te encontrar.