sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Falar de Mim


Falar de mim
é desvendar um tímido segredo
que talvez não importe a mais ninguém.

Falar de mim
é escutar as vozes de todo o medo
que só o profundo silêncio tem.

Falar do que sou
é pegar num livro jamais aberto
que nos prende do princípio ao fim.

Saberes o que sou
é talvez ficares sempre mais perto
deste poema que só fala de mim.


sábado, 1 de janeiro de 2011

Dois Mil e Onze


O que se esconde para lá desta porta?...
   

Se eu fechar os olhos consigo imaginar as vozes e os rostos que quero encontrar, os sorrisos e os beijos que não quero perder, a música e o poema que ainda ninguém soube cantar.

Por ora basta-me o silêncio que dali vem. Não sei se o abrace... não sei se me esconda... não sei se lhe grite para dizer que estou aqui. Apetece-me ficar mais um pouco, embora saiba que nada posso fazer contra esta brisa que suavemente me empurra como se não houvesse nada a temer.

E por isso, daqui a um instante já não importa o que fica para trás!...
 

sábado, 11 de dezembro de 2010

§ DEFINIÇÕES § definições do ser...


Jamais alguém poderia adivinhar aquilo que eu gostaria de ser.


Eu não sou uma definição que se encontra encerrada num livro cheio de pó. Eu não sou um espaço por onde se passa distraidamente. Eu não sou um ponto final no meio da vida de alguém.

Eu sou a constante palavra que anda no vento. Eu sou a gota imprevisível que anuncia a tempestade. Eu sou o calor do chão que alguém pisa e a água da sede que alguém mata. Eu tenho as minhas próprias definições de tudo o que vejo e de tudo o que sinto, e não me importa que no meio de todas elas eu pareça diferente.

Eu sou Eu a todo o momento e a todo o instante. Nem sempre existo neste mundo definido por alguém que o escreveu antes de saber que eu existia assim... Sou às vezes tão simples que cabe em mim toda a definição que encerra o verbo Ser.

domingo, 28 de novembro de 2010

De Repente Sem Ti



de repente passou a custar
não te ouvir,
pressenti a tua ausência
e doeu,
tão depressa estavas no meu peito
como não,
tão depressa eras tudo para mim
e eu teu,
e assim foi ver-te fugir
(penso eu),
e depois esta dor sem jeito
que ficou,
agora sem ti por perto
o que sou?

de repente passou a custar
existir...

domingo, 21 de novembro de 2010

Fados Imperfeitos (III)


Eu queria abraçar a noite e esquecer

este dia e os outros sempre iguais,
as vozes e os sabores tão banais
com que sinto esta vida se perder.


Eu queria de repente adormecer
nas vagas que abraçam os areais,
nelas sorrir, sonhar e tudo o mais
que fosse preciso para renascer.

Eu queria ser eterno no meu ser
e respirar para sempre, sem finais,
mas não passo de um barco junto ao cais
que me leva a vida e traz para morrer.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

[PARÊNTESIS] – há dois anos


Cada vez que eu fecho os olhos, o tempo à minha volta é branco. Esvazio toda a existência da sua cor e finjo nessa escuridão ser alguém a querer lembrar-se do que viu e do que sentiu para tentar não o esquecer.



Quase sempre o mundo parece-me mais bonito do que aquilo que efectivamente é. O engraçado é que nunca desenho o tempo e o espaço onde não estive. Eu pertenço a todas as cores com as quais escrevo a vida de olhos fechados. Mas quando os abro, invade-me uma tristeza parecida com a solidão.

Estarei só?...

Cada vez que eu fecho os olhos faço deslizar uma pequena linha escura por entre os espaços dessa tela branca e descubro a liberdade que me trazem as palavras, os pontos e as vírgulas de tudo quanto quero explicar e sentir. É incrível como o tempo passa e eu não deixo de te sonhar!

E continuarei a amar assim, até não haver mais nada por que valha a pena viver!...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Instante da Oração


há pouco cheguei
e deste-me todas as palavras
que tinhas na tua mão,
pediste que eu respirasse
todo o ar que existia
e abraçasse a tua solidão
como se mais nenhuma outra eu pudesse sentir,


e eu peguei nas palavras todas
e oferecias como um beijo
ao silêncio do teu sorriso,
pois queria ter a certeza
que falava nessa luz a verdade
e não te enganava o desejo
com palavras que às vezes te querem mentir.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"ENTRE ASPAS" - o amor é...


...não desistir quando vem a tempestade e te derruba tudo por terra... É ser capaz de estar continuamente a recomeçar sem perder o entusiasmo, é acima de tudo dedicação em cada gesto, em cada olhar, em cada toque...É não ter o Príncipe e cuidar do sapo tal como ele é, sem esperar nenhuma magia, a não ser aquela que se cria no dia-a-dia de quem se ama.

(Carla Silva)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Escrevi Uma Carta Para Ti, Maria


Como estás, linda Maria,

nesta distância que os meus olhos sentem?
Por ti choram e não mentem
a saudade que eu no peito já sentia.

Há quanto tempo partiste:
duas horas, sete dias, ou mil anos?
Quantos são os desenganos
que tornam o meu tempo menos triste?


Por vezes ao fim da tarde
fico em silêncio ao mar abraçado,
desejando que o meu fado
nos teus sonhos para sempre ele guarde.

Quando voltas, meu amor,
para sentir de novo o que se perdeu?
É minha alma, não sou eu,
que ao recordar-te rouba este clamor.

Espero que me traga o vento
assim depressa os recados teus!
Linda Maria, este adeus
é a minha saudade, ou o teu esquecimento?


Abraça este meu papel
como se fossem junto a ti os meus braços,
e deita ao vento os pedaços
se não fores tu o seu destino cruel!

sábado, 31 de julho de 2010

[PARÊNTESIS] - tu és o meu caminho


Não sei se te amo como mereces, não sei se te posso dar mais do que aquilo que dou e não sei se tudo isto que procuro afinal existe em ti.


Ainda assim, esperarei por ti no último dia do Mundo. Não conheço mais ninguém com quem gostasse de partilhar a descoberta de todas as promessas que a Vida não cumpriu e que foram encerradas no mistério da nossa morte.