sábado, 5 de março de 2011

Sede de Viver


Deixa-me procurar o que desejo,
erguer para alguém que passa o meu sorriso
e ouvir depois o que tem para me dizer.


Porque sim, é verdade!,
de alguém ao meu lado eu preciso,
pois se não sinto o Inverno chegar
num silêncio calmo e demorado
que eu sei não ser capaz de suportar.

Deixem-me à solta por aí,
riscar de uma vez só
o papel onde ninguém ousa escrever,
rir com gosto de um condenado
de um pobre ou de um morto
e ouvir falar de mim tão mal
que me ferissem as palavras os ouvidos.

Deixem-me acompanhar as aves do céu
no seu voo livre por entre o vento,
beber alegremente de um só trago
a coragem de ir sempre mais além,
gritar até rouca ficar a voz
e nunca ter vontade de olhar para atrás.

Deixem-me cair, rasgar a pele,
limpar do chão o vermelho do sangue
e imprimir no meu coração ao acaso
um sentimento agudo de dor
que eu não seja capaz de aliviar.

Deixem-me errar um verso
no poema porventura mais belo,
e não me lembrem depois mais nada
se ao fim de tudo me apetecer chorar.

(há dois anos este poema foi dedicado a uma amiga para que ela nunca desista...)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Imaginei-me Sem o Teu Amor


Imaginei-me sem o teu Amor
e percebi o que era estar sem ti!
Imaginei-me sem o teu Amor
e cresceu dentro de mim um vazio!
Imaginei-me sem o teu Amor
e de repente o sol era tão frio!
Imaginei-me sem o teu Amor
e não fui capaz de viver... Morri!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Falar de Mim


Falar de mim
é desvendar um tímido segredo
que talvez não importe a mais ninguém.

Falar de mim
é escutar as vozes de todo o medo
que só o profundo silêncio tem.

Falar do que sou
é pegar num livro jamais aberto
que nos prende do princípio ao fim.

Saberes o que sou
é talvez ficares sempre mais perto
deste poema que só fala de mim.


sábado, 1 de janeiro de 2011

Dois Mil e Onze


O que se esconde para lá desta porta?...
   

Se eu fechar os olhos consigo imaginar as vozes e os rostos que quero encontrar, os sorrisos e os beijos que não quero perder, a música e o poema que ainda ninguém soube cantar.

Por ora basta-me o silêncio que dali vem. Não sei se o abrace... não sei se me esconda... não sei se lhe grite para dizer que estou aqui. Apetece-me ficar mais um pouco, embora saiba que nada posso fazer contra esta brisa que suavemente me empurra como se não houvesse nada a temer.

E por isso, daqui a um instante já não importa o que fica para trás!...
 

sábado, 11 de dezembro de 2010

§ DEFINIÇÕES § definições do ser...


Jamais alguém poderia adivinhar aquilo que eu gostaria de ser.


Eu não sou uma definição que se encontra encerrada num livro cheio de pó. Eu não sou um espaço por onde se passa distraidamente. Eu não sou um ponto final no meio da vida de alguém.

Eu sou a constante palavra que anda no vento. Eu sou a gota imprevisível que anuncia a tempestade. Eu sou o calor do chão que alguém pisa e a água da sede que alguém mata. Eu tenho as minhas próprias definições de tudo o que vejo e de tudo o que sinto, e não me importa que no meio de todas elas eu pareça diferente.

Eu sou Eu a todo o momento e a todo o instante. Nem sempre existo neste mundo definido por alguém que o escreveu antes de saber que eu existia assim... Sou às vezes tão simples que cabe em mim toda a definição que encerra o verbo Ser.

domingo, 28 de novembro de 2010

De Repente Sem Ti



de repente passou a custar
não te ouvir,
pressenti a tua ausência
e doeu,
tão depressa estavas no meu peito
como não,
tão depressa eras tudo para mim
e eu teu,
e assim foi ver-te fugir
(penso eu),
e depois esta dor sem jeito
que ficou,
agora sem ti por perto
o que sou?

de repente passou a custar
existir...

domingo, 21 de novembro de 2010

Fados Imperfeitos (III)


Eu queria abraçar a noite e esquecer

este dia e os outros sempre iguais,
as vozes e os sabores tão banais
com que sinto esta vida se perder.


Eu queria de repente adormecer
nas vagas que abraçam os areais,
nelas sorrir, sonhar e tudo o mais
que fosse preciso para renascer.

Eu queria ser eterno no meu ser
e respirar para sempre, sem finais,
mas não passo de um barco junto ao cais
que me leva a vida e traz para morrer.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

[PARÊNTESIS] – há dois anos


Cada vez que eu fecho os olhos, o tempo à minha volta é branco. Esvazio toda a existência da sua cor e finjo nessa escuridão ser alguém a querer lembrar-se do que viu e do que sentiu para tentar não o esquecer.



Quase sempre o mundo parece-me mais bonito do que aquilo que efectivamente é. O engraçado é que nunca desenho o tempo e o espaço onde não estive. Eu pertenço a todas as cores com as quais escrevo a vida de olhos fechados. Mas quando os abro, invade-me uma tristeza parecida com a solidão.

Estarei só?...

Cada vez que eu fecho os olhos faço deslizar uma pequena linha escura por entre os espaços dessa tela branca e descubro a liberdade que me trazem as palavras, os pontos e as vírgulas de tudo quanto quero explicar e sentir. É incrível como o tempo passa e eu não deixo de te sonhar!

E continuarei a amar assim, até não haver mais nada por que valha a pena viver!...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Instante da Oração


há pouco cheguei
e deste-me todas as palavras
que tinhas na tua mão,
pediste que eu respirasse
todo o ar que existia
e abraçasse a tua solidão
como se mais nenhuma outra eu pudesse sentir,


e eu peguei nas palavras todas
e oferecias como um beijo
ao silêncio do teu sorriso,
pois queria ter a certeza
que falava nessa luz a verdade
e não te enganava o desejo
com palavras que às vezes te querem mentir.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"ENTRE ASPAS" - o amor é...


...não desistir quando vem a tempestade e te derruba tudo por terra... É ser capaz de estar continuamente a recomeçar sem perder o entusiasmo, é acima de tudo dedicação em cada gesto, em cada olhar, em cada toque...É não ter o Príncipe e cuidar do sapo tal como ele é, sem esperar nenhuma magia, a não ser aquela que se cria no dia-a-dia de quem se ama.

(Carla Silva)