A noite avança... os meus olhos vão mergulhando num silêncio profundo, e o meu corpo inerte sente aos poucos o abraço do sonho que atenua o peso desta distância que nos separa... E por momentos, passo a existir nesse espaço onde não pertenço, nesse mundo que não conheço, nessa alma que me sustém...
Imagino que eu sou o espírito da tua ilusão e que te guio na liberdade das montanhas, e sou a brisa que passa nos teus cabelos, e sou o poema que ouves em silêncio, e sou o quente do teu corpo dormente por entre o suor dessas ondas salgadas ao fim da tarde... E ando depois contigo de mão dada pela areia, e corro à tua frente sem fugir, e sou esse sorriso do tudo e do nada, e sou simplesmente em ti, a felicidade!...
E hei-de acordar e talvez chorar... não pelo sonho que se finda na cegueira dos meus olhos, mas pela ternura com que esta pequena saudade de ti, conforta a minha alma rendida à grandeza do que és...